Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim

Como chegar?

Ilha de Anhatomirim, Baía Norte

Primeiro governador da então Capitania de Santa Catarina (1739-1743), o brigadeiro José da Silva Paes certamente não se incomodou com o nome indígena da Ilha de Anhatomirim (“pequena ilha do diabo”, em tupi-guarani) quando ordenou a construção da Fortaleza de Santa Cruz, maior e mais importante construção colonial portuguesa do Sul do Brasil.

De pouca valia na defesa da Ilha de Santa Catarina durante a invasão espanhola de 1777, quando os militares portugueses a abandonaram sem disparar um tiro de canhão, Anhatomirim guarda entre suas paredes a memória de outro episódio funesto da história militar do Brasil.

Por ordem de Floriano Peixoto, em 24 de abril de 1894, foram fuzilados presos políticos (há quem diga 185 pessoas, embora o número nunca tenha sido determinado com exatidão), dentre os quais o Barão de Batovi, herói catarinense da Guerra do Paraguai, no desfecho da Revolução Federalista (1893-1894). Há marcas de tiros visíveis até hoje.

Administrada desde 1979 pela UFSC, que desenvolveu o projeto de restauração das fortificações da Ilha, a Fortaleza de Anhatomirim impressiona pela imponência de suas construções, que misturam vários estilos arquitetônicos, do barroco colonial ao orientalismo de seu pórtico de entrada.

A fortaleza está localizada na Ilha de Anhatomirim, hoje na área de jurisdição do município de Governador Celso Ramos. Estrategicamente situada na entrada da Baía Norte, a Fortaleza de Santa Cruz configurava no século XVIII um dos vértices do sistema triangular de defesa idealizada pelo Brigadeiro Silva Paes.

Sua construção teve início em 1739 e foi concluída cinco anos mais tarde. Sua arquitetura tem traços de influência renascentista. Fica em uma ilha com espessas muralhas e seus edifícios se distribuem de maneira esparsa em diferentes níveis. A maioria dos materiais utilizados na sua construção é da própria região com exceção feita aos elementos de cantaria e ao “lioz” – espécie de mármore português existente nas soleiras das portas, escadarias e algumas bases dos canhões.

Entre os edifícios mais significativos da fortaleza destacamos:

Portada – de influência oriental, cujo acesso se dá através de uma escada de lioz.

Casa do Comandante – é do tipo câmara e cadeia, uma espécie de sobrado bastante comum nas casas da administração do Brasil Colônia. Esta casa foi a primeira sede do Governo de Santa Catarina, onde residiu Silva Paes.

Quartel da Tropa – uma construção de grande destaque que representa o auge da imponência das obras de Silva Paes. O estilo clássico, determinado por contornos retos, telhas coloniais e doze arcadas térreas apresentam tal apuro de proporções e detalhes, que raramente deixava de ser mencionada por viajantes europeus em seus diários.

Historicamente, a Fortaleza de Santa Cruz não foi utilizada do ponto de vista bélico nem mesmo durante a invasão espanhola de 1777. Após este episódio, o sistema entrou em descrédito e passou a ser progressivamente abandonada. Em 1884, durante a Revolução Federalista, serviu de prisão e base de fuzilamentos de revoltosos contra o governo de Floriano Peixoto. No ano de 1907 passou a pertencer ao Ministério da Marinha, voltou a ser utilizada como prisão em 1932 no desfecho da Revolução Constitucionalista. Funcionou como base até o final da Segunda Guerra Mundial quando apareceram novas tecnologias bélicas, tornando-a obsoleta como unidade militar. Foi desativada, mas a Marinha manteve vigilância até a década de 1960 e a partir desta data foi abandonada e depredada.

Em 1979, a Universidade Federal de Santa Catarina fez um convênio com o Ministério da Marinha e assumiu a guarda e tutela da Fortificação de Santa Cruz e começou o processo para restauração das ruínas históricas. Em 1984, foi possível a sua reabertura para visitação pública, mas somente em 1991 o “Projeto Fortalezas” conseguiu concretizar a restauração  completa da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim.

A Fortaleza de Santa Cruz foi a principal fortificação do antigo sistema defensivo da Ilha de Santa Catarina, projetada e construída pelo Brigadeiro português José da Silva Paes, a partir de 1739. Estrategicamente localizada na Ilha de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos, Santa Cruz configurava no século XVIII o principal vértice do sistema triangular de defesa da Baía Norte, que protegia a Ilha de Santa Catarina contra  as investidas  estrangeiras.

Este sistema era composto ainda pelas fortalezas de São José da Ponta Grossa e Santo Antônio de Ratones. No final do século XIX alguns de seus edifícios já haviam desaparecido, e outros haviam sido construídos, como o Novo Paiol e a Nova Casa do Comandante. Em 1894, durante a Revolução Federalista, Anhatomirim reassume sua importância ao servir de presídio e base de fuzilamento de revoltosos contra o governo de Floriano Peixoto.

No período compreendido pelas duas grandes guerras mundiais, a fortificação foi reequipada militarmente com novos edifícios como a Estação Radiotelegráfica e a Usina de Eletricidade, e com armamentos modernos. Em 1938 a Fortaleza de Anhatomirim foi tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, permanecendo anos em total abandono até ser redescoberta e restaurada nas décadas de 70 e 80, quando passou à guarda e manutenção da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Assim como as demais fortalezas brasileiras do século XVIII, Santa Cruz possui traços de influência renascentista. Da Ilha de Anhatomirim, onde seus edifícios históricos distribuem-se em diversos níveis de maneira esparsa em uma área de aproximadamente 45 mil m², estende-se, por todos os lados, um panorama magnífico.

A restauração da Fortaleza de Anhatomirim ocorreu em dois momentos: nos anos 70 e início dos 80 onde buscou-se recuperar a imagem que as construções tinham originalmente; e no final da década de 80 de acordo com referências de cartas internacionais sobre preservação de monumentos, procurando recuperar somente as características essenciais das construções, respeitando os vestígios remanescentes dos antigos edifícios.

A revitalização dos espaços restaurados buscou garantir a preservação e ao mesmo tempo adequar os ambientes internos e externos aos novos usos e necessidades requeridas como instalações elétricas e de água e esgoto, imprescindíveis no funcionamento de um monumento de grande visitação pública. A fortaleza oferece aos seus visitantes: salas de exposições, loja de souvenir, lanchonete, aquário marinho, entre outras atrações.


Curiosidade

Projetada para ser a principal fortificação do antigo sistema de defesa da Ilha de Santa Catarina, a Fortaleza de Anhatomirim em nada ajudou durante a invasão espanhola de 1777 por um simples motivo: os invasores não entraram com seus navios pela Baía Norte, preferindo desembarcar em Canasvieiras, e fazer o trajeto a pé até a sede da antiga Desterro.




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